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Tríptico de Helios Seelinger

Tríptico: Descobrimento do litoral de São Vicente por Martim Afonso (180×390 cm); Uma Bandeira chefiada pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme (340x390cm); Cidade de São Paulo com seus arranha-céus (180x390cm), óleo sobre tela, 1928-1929

Hélios Seelinger (Rio de Janeiro, RJ, 1878-1965), artista ainda muito pouco estudado, foi aluno da Escola Nacional de Belas Artes entre 1892 e 1896, completou seus estudos em Munique com Franz von Stuck e retornou à Europa em 1903 como bolsista da Enba, após ter ganhado o prêmio de viagem ao exterior, estudando na Académie Julian. Fixou residência no Rio de Janeiro, apesar de ter passado períodos em Paris, em São Paulo e em Porto Alegre. Além da pintura, atuou como ilustrador e caricaturista. Como agitador cultural foi muitas vezes articulador de associações artísticas independentes e trabalhou no Museu Nacional de Belas Artes por muitos anos. Na década de 1920 passou grandes períodos em São Paulo, época em que se aproxima do grupo modernista e de outros artistas locais. Sempre teve seu nome associado ao movimento simbolista. Seus trabalhos apresentam influências panteístas e místicas, advindas principalmente dos anos de aprendizado na Alemanha.

Ao que tudo indica, o Tríptico foi encomendado para o Museu – ou para o Horto Florestal porquanto aparece em diversas publicações como fazendo parte da Biblioteca deste parque. As cenas representadas nos três paineis colocam São Paulo como o estado fundamental para o crescimento – quer territorial quer econômico – do Brasil como um todo, desde o século XVI até pelo menos o século XX.

No painel da esquerda, O descobrimento do litoral de São Vicente por Martim Afonso retrata a chegada de Martim Afonso ao litoral paulista. Martim Afonso foi o responsável pela fundação da primeira vila portuguesa no Brasil, São Vicente, em 1532. O painel central, Uma Bandeira chefiada pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme, novamente apresenta outra importante etapa da história do Brasil pelo viés paulista: o ciclo bandeirante (séculos XVII e XVIII) no qual foram realizadas diversas expedições no território brasileiro para a captura de índios a fim de escravizá-los ou em busca por pedras e metais preciosos.  Realizado um ano após as outras duas telas, o terceiro painel traz como cenário a cidade de São Paulo em suas variadas facetas enfocando principalmente o trabalho. Talvez a referência mais direta esteja baseada no filme Sinfonia da metrópole, lançado naquele mesmo ano, e que aponta para os avanços e as transformações da pequena cidade em metrópole.

Texto curatorial de Ana Paula Nascimento
Pesquisadora vinculada ao Programa de Pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP). Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo (1997), mestrado (2003) e doutorado (2009) em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo pela FAU USP. Tem experiência nas áreas de História da Arte e História da Arquitetura, com ênfase nos seguintes temas: arte brasileira (séculos XIX e XX), museus brasileiros, patrimônio, história da arquitetura e arquivos pessoais de arquitetos e engenheiros. Premiada em primeiro lugar no edital do Museu Paulista/USP – Programa Institucional de Pesquisa nos Acervos da USP (2017).