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11/01/19 08:38

Instituto Florestal atua na criação de duas APAs nas regiões de Piracicaba e Botucatu

As Áreas de Proteção Ambiental são contíguas, mas com características ecológicas diferentes entre si, e abrigam espécies animais e arbóreas ameaçadas de extinção

Foto: Monica Pavão

No dia 21 de dezembro, o governador Márcio França assinou os decretos de criação da Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Tanquã-Rio Piracicaba (nº 63.993/2018) e Barreiro Rico (nº 63.994/2018). As recém criadas Unidades de Conservação (UCs) estão localizadas na região de Piracicaba e juntas somam aproximados 44 mil hectares.

As APAs abrangem os municípios paulistas de Anhembi, Botucatu, Dois Córregos, Piracicaba, Santa Maria da Serra e São Pedro. Suas áreas apresentam intenso uso antrópico baseado no desenvolvimento de atividades agrícolas. Muitos fatores decorrentes desse uso antrópico têm causado impactos ambientais constantes. A ausência de técnicas adequadas de conservação dos solos contribui para o surgimento de processos erosivos e assoreamentos. O uso de defensivos agrícolas contribui para a poluição hídrica e consequente redução da quantidade de água disponível para o abastecimento da população. A presença de uma densa rede viária na área contribui para a grande circulação de veículos e de pessoas, descarte inadequado de resíduos sólidos, ocorrência de incêndios, além do atropelamento da fauna silvestre.

Cientes da importância de proteger estas áreas, 15 pesquisadores do Instituto Florestal (IF) atuaram em uma força-tarefa para a criação das APAs, que foi coordenada por Rodrigo Victor da Fundação Florestal. Os pesquisadores do Instituto elaboraram estudos técnicos, com atuação nas áreas de uso e ocupação da terra, vegetação, fauna, hidrologia, solos, geoprocessamento, bem como na edição e consolidação do relatório técnico. Esses estudos também contaram com a participação de outros órgãos da Secretaria do Meio Ambiente, como Instituto Geológico, Instituto de Botânica, Fundação Florestal e Cetesb, no total de 30 profissionais.

O corpo-técnico do IF também esteve engajado em mostrar à sociedade e a outros órgãos responsáveis a pertinência desses estudos e a necessidade de proteger as áreas e categorizá-las como UCs. Diversos pesquisadores estiveram presentes e atuantes na audiência pública, realizada em Piracicaba no dia 28 de agosto, e durante a aprovação da proposta de criação das APAs no Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), em 13 de novembro. Os pesquisadores científicos Alexsander Antunes e Frederico Arzolla apresentaram a importância da conservação das áreas em palestras realizadas na Esalq/USP (24 de agosto) e no SESC de Piracicaba (21 de outubro).

A criação das APAs teve ampla visibilidade nas grandes mídias, como o G1 e o Estadão, além de veículos de comunicação locais.

Equipe que realizou os estudos em campo para a criação das APAs Barreiro Rico e Tanqua-Rio Piracicaba

A importância de proteger essa áreas

Pesquisadores estudam vegetação de savana na Estação Ecológica Barreiro Rico, criada em 2006

As duas APAs protegem áreas contíguas, mas com características diferentes entre si. A área do Tanquã é um “minipantanal”. Tem composição característica de florestas aluviais e possui alta biodiversidade de aves (426 espécies conhecidas), com riqueza de espécies aquáticas, sendo várias migratórias e típicas do pantanal matogrossense. Além disso, é o último fragmento do interior do estado de São Paulo onde residem muitas espécies florestais de avifauna. A área possui grande potencial para o turismo de observação de aves e já são utilizadas nesse sentido. O ornitólogo Alexsander Antunes revela que alguns pescadores locais atuam como guias e monitores ecológicos.

A área do Barreiro Rico traz remanescentes de floresta estacional semidecidual (floresta do interior) e a presença de formações raras no nosso estado, como as deciduais. Abriga cinco espécies de primatas, dentre elas o muriqui-do-sul (mono-carvoeiro), ameaçado de extinção. Frederico Arzolla evidencia as espécies arbóreas que foram muito utilizadas no passado para o uso humano, como peroba-rosa, jequitibá-rosa, guaritá, guarantã, guaraiúva, jatobá, copaíba, cabreúva, entre outras; destacando-se por serem espécies tardias (finais de sucessão) e várias delas ameaçadas de extinção. “Esses remanescentes são importantes para conservação dessas espécies. Também são fontes para o repovoamento na bacia hidrográfica”, explica o pesquisador.

“O estado tem um déficit de cobertura vegetal do cerrado e florestas estacionais. A criação das UCs é importante para garantir melhores condições para a conservação dessas áreas para as gerações atuais e futuras”, reforça Arzolla.

O pesquisador do IF Márcio Rossi explica que as áreas possuem fragilidades ambientais diferentes em relação ao solo. O Tanquã apresenta solos alagados, suscetíveis ao lençol freático. Deste modo, estão sujeitos ao assoreamento e à contaminação. Já o Barreiro Rico apresenta solos arenosos e de textura grossa, que são suscetíveis a processos erosivos.

A criação dessas UCs é um importante mecanismo para frear as ameaças antrópicas (como queimadas) para a biodiversidade da região, restabelecendo a conexão entre os remanescentes e estimulando a recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Foto: Alexsander Antunes

Mais informações: Frederico Arzolla – Tel. (11) 2231-8555 / Ramal 2105