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05/07/18 16:10

IF apresenta resultados de pesquisa com sementes de grumixama

As sementes desta espécie com alto potencial comercial são recalcitrantes, não tolerando a desidratação e o armazenamento a baixas temperaturas, tornando-se vulneráveis a fungos

O Instituto Florestal (IF) realiza estudo com sementes de grumixama, espécie nativa da Mata Atlântica. Além do interesse em sua utilização para a recuperação florestal, a grumixama possui frutos saborosos e com alto potencial alimentício. Entretanto, por se tratarem de recalcitrantes, suas sementes têm baixa tolerância à desidratação e a baixas temperaturas, o que pode inviabilizar seu armazenamento, tornando-se vulneráveis a fungos.

O pesquisador científico do IF João José Dias Parisi, doutor em engenharia agrícola, conduz estudo que avalia os limites de desidratação que a semente da grumixama pode suportar sem perder sua viabilidade, bem como a eficiência de tratamentos químicos para controle de fungos, que são os principais responsáveis por causar deterioração às sementes. Em baixas temperaturas e umidade, os fungos têm seu crescimento paralisado. 

Parisi explica que as sementes recalcitrantes são aquelas que não toleram desidratação e baixas temperaturas, perdendo a viabilidade rapidamente quando o teor de água é diminuído. Nessas sementes, a redução do teor de água para níveis abaixo de 12-31%, dependendo da espécie, tende a diminuir o período de viabilidade. Na fase final da maturação dessas sementes o teor de água permanece elevado iniciando-se o processo germinativo, às vezes até na própria planta. Não havendo restrições hídricas durante a maior parte do ano, essas sementes são as que colonizam mais rapidamente o ambiente.

Os fungos podem causar vários danos às sementes, tanto na fase de campo, como também na pós-colheita. O armazenamento é a fase na qual a deterioração pode ocorrer, afetando a qualidade fisiológica das sementes. Esses danos causam a redução drástica na produção de mudas em viveiros e o aumento dos custos de reflorestamentos.  Estudos envolvendo a ação de fungos em sementes florestais poderão possibilitar o desenvolvimento de tecnologias que permitam o manejo e conservação dessas sementes por um maior período. E uma das maneiras de controlar esses microrganismos é o tratamento de sementes.

Para o desenvolvimento do projeto estavam previstos o acompanhamento e coleta dos frutos de grumixama na Estação Experimental de Tupi, em Piracicaba, mas devido a condições climáticas não ocorreu a produção de sementes, foi possível a coleta somente na unidade de Bauru. Para complementar o projeto foram realizadas outras coletas nas cidades de Santa Rita do Passa Quatro e no núcleo de produção e mudas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, em Itaberá.

Parte das sementes foi tratada com fungicida e parte foi mantida sem tratamento. Foram avaliadas e, em seguida, armazenadas por até 90 dias, a 8 °C. Foram mensalmente avaliadas quanto ao teor de água, à germinação e à sanidade. O tratamento químico não interferiu no parâmetro fisiológico das sementes armazenadas e controlou a incidência da maioria dos fungos detectados.

Parisi conta que a qualidade das sementes variou de uma localidade para outra, o que mostra a importância do local de colheita. No armazenamento, fungos importantes (semelhantes aos que se encontram com sementes agrícolas) aparecem, o que indica a importância do tratamento químico. O pesquisador explica a importância do experimento, visto que não existe produto químico registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o controle de fungos em sementes florestais. Ainda sim, revela sua predileção por tratamentos naturais. Espera-se, a partir daí, o fornecimento de mudas com  mais qualidade fisiológica e sanitária

O Projeto “Fungos e Manutenção da viabilidade de sementes de grumixama” foi realizado no âmbito do Programa de Iniciação Científica do Instituto Florestal (PIBIC/IF) com a aluna da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) Ana Carolina Minohara, que participou no desenvolvimento dos experimentos e das análises realizadas nos laboratórios da Universidade, em Piracicaba. O Projeto PIBIC de Ana faz parte do Projeto de Pesquisa “Fungos e manutenção da viabilidade de sementes de espécies florestais”, registrado na Comissão Técnico-Científica do Instituto Florestal (Cotec), responsável pela gestão dos projetos de pesquisa nas Unidades de Conservação e Áreas Protegidas do Estado de São Paulo. Integram o projeto os pesquisadores Dr. João José Dias Parisi e a engenheira ambiental Rosa Maria Galera Gonçalves da Estação Experimental de Tupi do IF; Dr. Claudio José Barbedo do Instituto de Botânica; Dra Ana Dionisia da Luz Coelho Novembre, Professora do Departamento de Produção Vegetal da Universidade de São Paulo e Dra. Priscila Fratin Medina.

Fotos: Acervo Instituto Florestal

Mais informações: Pesquisador científico João Parisi – Tel. (19) 3438-7116 / 3438-7200