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05/07/18 18:52

55ª edição da revista IF Série Registros traz artigos que subsidiam Planos de Manejo

Estudos publicados por pesquisadores e técnicos do Instituto Florestal ressaltam a importância do manejo adequado das áreas naturais para a conservação da biodiversidade

A 55ª edição da revista científica do Instituto Florestal IF Série Registros  já se encontra disponível. A edição conta com três artigos: dois diagnósticos sobre a vegetação, das estações ecológicas de Paranapanema e Marília, que fazem parte dos futuros planos de manejo, e um que trata sobre os conflitos entre a ocupação humana da região da represa de Guarapiranga, debatendo o direito à moradia e direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

O pesquisador científico Frederico Arzolla, editor-chefe da comissão editorial do IF, conta que a revista surgiu em 1989, substituindo a Publicação IF, de 1972. A Revista IF Série Registros se dedica a publicar trabalhos inéditos em ciências florestais e afins, na forma de artigos científicos extensos, artigos técnico-científicos e artigos de revisão. Trata-se de uma revista científica, seriada, com periodicidade irregular.

“Diferentemente da Revista do Instituto Florestal [periódico científico regular da instituição], a IFSR publica trabalho extensos, muitos relacionados a Planos de Manejo e propostas de criação de Unidades de Conservação. São trabalhos importantes sobre a conservação da biodiversidade, a educação ambiental e o manejo de áreas protegidas“, explica o pesquisador.

Dois dos artigos publicados nesta edição da revista foram produzidos por pesquisadores do Instituto Florestal e subsidiaram a força tarefa promovida pelo Sistema Ambiental Paulista para a realização de Planos de Manejo de 11 Unidades de Conservação do Estado, processo no qual o IF, por meio de seu corpo técnico, tem desempenhado papel fundamental.

“O Instituto Florestal, por meio da IF Série Registros, publica trabalhos desenvolvidos nas áreas protegidas sob sua gestão, que são áreas de extrema importância para a conservação da biodiversidade, especialmente as áreas de Cerrado (Savana) e Floresta Estacional Semidecidual. Publica também trabalhos de todo o Brasil, mas a ênfase do periódico são os trabalhos desenvolvidos nessas áreas.” complementa Arzolla

Estação Ecológica de Paranapanema
O estudo sobre a Estação Ecológica de Paranapanema foi desenvolvido com o objetivo de elaborar o diagnóstico da vegetação  da unidade, dando subsídios ao seu Plano de Manejo. A Unidade de Conservação (UC) abrange 639,62 hectares do município de Paranapanema e está localizada na região sudoeste do Estado de São Paulo. Abriga uma diversidade de ambientes e a vegetação encontra-se em bom estado de conservação, com número relativamente alto de espécies, incluindo espécies ameaçadas, sendo de grande importância para a conservação do patrimônio natural.

Foram encontradas 470 espécies de plantas vasculares nativas, distribuídas em 89 famílias, além de outras 6 espécies exóticas. Destas 12 são raras e/ou ameaçadas de extinção. A riqueza observada  de fanerógamas (plantas que têm seus sistemas produtores de gametas bem visíveis e também são chamadas de espermatófitas, pois produzem sementes) representa aproximadamente 6% do total estimado para a flora fanerogâmica paulista, o que atesta a importância da UC para a conservação da diversidade vegetal no Estado.

Uma das grandes preocupações para a biodiversidade da estação é a invação de pinus, como a Pinus elliottii, principal espécie invasora. O estudo recomendou o processo de substituição desses plantios por vegetação nativa, diminuindo, assim, a fonte de propágulos da espécie dentro da Unidade e favorecendo as ações de controle e/ou erradicação.

Também são ressaltadas a importância da zona de amortecimento da unidade, a proximidade do Rio Paranapanema, que ainda tem baixo índice de poluição e rica fauna aquática, a fauna (que inclui dispersores de sementes e polinizadores de espécies nativas e cultivadas), e a cobertura vegetal nativa, que promove a manutenção da oferta de recursos hídricos. Logo, a UC e sua zona de amortecimento irradiam serviços ambientais para além de seus limites, beneficiando a conservação da biodiversidade e atividades econômicas.
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Estação Ecológica de Marília
Criada em 28 de dezembro de 2010 a Unidade de Conservação de Proteção Integral ocupa uma área de 604,14 hectares de domínio da Mata Atlântica em uma região onde predomina a Floresta Estacional Semidecidual.

Sua flora levantada pelo estudo totaliza 302 espécies, sendo 277 nativas pertencentes a 185 gêneros e 73 famílias. Dessas 8 constam em uma ou mais listas de espécies ameaçadas de extinção. Foram levantadas 25 exóticas, com destaque mais uma vez para o Pinus elliottii, que é comprovadamente uma espécie invasora de áreas savânicas, mas até o momento não representa um problema para as áreas de floresta nativa na Estação Ecológica de Marília.

Um dos indivíduos predominantes na estação, as trepadeiras, são fontes de recursos essenciais para a manutenção da fauna local. Foram registradas 73 espécies nativas que disponibilizam flores e frutos em períodos de baixa oferta pelos arbustos e árvores.

O diagnóstico revelou a necessidade de estudos sobre a vegetação local para que possam dar suporte às decisões sobre o potencial de regeneração natural, à necessidade de manejo adaptativo ou de plantios de restauração. Com relação à pesquisa científica, devem ser priorizados os experimentos sobre restauração florestal. Estudos complementares de flora podem subsidiar a escolha das espécies a serem usadas nos projetos de revegetação com espécies nativas.

Todo o conhecimento levantado no artigo sobre a vegetação da Estação Ecológica de Marília contribui para orientar o manejo e a gestão adequada da área protegida. Além dos dados florísticos obtidos por meio deste levantamento auxiliar para ampliar os registros de ocorrência de espécies e de coletas botânicas no Estado de São Paulo, gerando e disponibilizando informações que podem incrementar bancos de dados e subsidiar ações e pesquisas diversas.
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Represa Guarapiranga
A IFSR 55 traz ainda um estudo da ocupação da região que margeia a Represa Guarapiranga, ao sul da região metropolitana de São Paulo. O artigo traz uma análise histórica da ocupação humana e do ordenamento jurídico. Concluiu que apesar da legislação brasileira apresentar elementos de vanguarda quanto ao Direito Urbanístico, visando garantir as funções sociais da cidade, e apesar do que rege o Direito Ambiental,  a aplicação desses conceitos ainda é falha, ainda que levando em consideração o fixado no Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo.
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