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29/05/18 15:40

Observação de aves pode contribuir com a conservação e gerar dados científicos

Instituto Florestal esteve presente no Avistar 2018 com palestra e atividade lúdica sobre a história da conservação no estado de SP e apresentando resultados de pesquisa científica que envolve o monitoramento de aves

De 18 a 20 de maio, o Instituto Florestal (IF) participou do maior evento de observação de aves do Brasil, o 13º Avistar. Além de marcar presença com um estande, com o objetivo de informar ao público onde praticar o birdwatching no estado de São Paulo, a instituição promoveu palestra, atividades lúdicas e apresentou resultados de pesquisa científica relacionada à atividade. O evento aconteceu no Instituto Butantan, na capital paulista.

O IF dividiu o estande com a Secretaria Estadual de Turismo e outras instituições do Sistema Ambiental Paulista: Fundação Florestal, Instituto de Botânica e Coordenadoria de Parques Urbanos (CPU). Foi estendido um grande mapa do estado indicando os principais pontos de observação de aves do Estado, seus municípios e seus respectivos parques com visitação consolidada.

Observação de aves gera dados científicos
A pesquisadora científica do Instituto Florestal Andréa Soares Pires apresentou no evento os resultados de estudo em que a observação de aves é utilizada para avaliar a qualidade ambiental do município de Teodoro Sampaio/SP.

Em 2016, observando a diversidade de aves na região e pesquisando em sites como o Wikiaves e e-Bird, Andréa e o pesquisador Helder Henrique de Faria, também do IF, verificaram que o plano de manejo do Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD) não registrava 58 espécies ali presentes.

No início deste ano, os pesquisadores começaram a coletar dados em pontos urbanos, trilhas do Parque e no corredor ecológico que liga o PEMD a outra unidade de conservação, a Estação Ecológica Mico Leão-Preto. Entre fevereiro e abril registraram 78 espécies na sede do Parque, 55 na área urbana e 36 no corredor florestal. Destacam-se espécies como urutau-gigante, tuiuiú , urubu-de-cabeça-amarela, urubu-rei, gavião-de-penacho, pomba-trocal, anu-coroca, udu-de-coroa-azul, arara Canindé, arara-vermelha e uirapuru-laranja. Atualmente, já são 70 espécies registradas que não estavam na lista oficial da área.

Além de obter a riqueza,  a composição e a distribuição de habitat das aves de Teodoro Sampaio, bem como atualizar a lista atualizada de espécies do PEMD, os pesquisadores pretendem produzir um guia de aves local.

O estudo está cadastrado na Comissão Técnico-Científica do IF, responsável pela gestão dos projetos de pesquisa nas unidades de conservação e áreas protegidas do Estado de São Paulo.

Os dois pesquisadores também participaram do Global Big Day, que ocorreu em 05 de maio. Este é um dia em que observadores de aves do mundo inteiro registram as espécies em sua localidade do planeta. No período de 12 horas, Andréa e Helder registraram 73 espécies tanto na cidade, como nas trilhas do Parque Estadual Morro do Diabo.

A lista das espécies avistadas podem ser consultadas no link https://ebird.org/view/checklist/S45309794

Benefícios e impactos da observação de aves
A prática do birdwatching, como qualquer atividade humana, pode resultar tanto em benefícios quanto em impactos para as áreas naturais. A atividade pode estimular a economia regional, gerando renda para o entorno e para a administração pública, bem como promover uma maior participação dos visitantes no processo de conservação dessas áreas, contribuindo inclusive com dados científicos por meio da ciência cidadã. Por outro lado, algumas técnicas para atrair aves para facilitar a observação e cliques fotográficos, como o playback, pode causar estresse às espécies, fazendo com que se exponha a predadores ou abandone um ninho por exemplo. Se for uma espécie rara, poderá haver inclusive um impacto populacional.

No sentido de potencializar esses benefícios e reduzir os impactos, atualmente o Instituto Florestal está trabalhando junto à Secretaria do Meio Ambiente na regulamentação da atividade de observação de aves nas áreas protegidas sob sua gestão.

História da conservação em São Paulo
No primeiro dia de evento, o IF realizou palestra sobre a história da conservação do nosso estado. Foram contadas as trajetórias de pioneiros como Alberto Löfgren, Frederico Carlos Hoehne e Octávio Vecchi. A apresentação deste último foi ministrada pela responsável pelo Museu Florestal Octávio Vecchi Natália Almeida. A iniciativa foi realizada em parceria com Erika Hingst-Zaher, do Museu Biológico do Instituto Butantan e Felipe Souza, do movimento Conservatio.

O Museu Florestal e o movimento Conservatio também realizam outra atividade em parceria: a montagem de um grande um varal, no meio do gramado, que trazia uma linha do tempo. A linha trazia alguns dos principais marcos ambientais da história de São Paulo e possibilitava que que qualquer pessoa presente no evento pudesse interagir com a obra e inserir outros acontecimentos que julguem importantes e que ainda não estivessem no varal. O público foi estimulado ainda a contar suas próprias experiências pessoais relacionadas a seu contato inicial com a conservação, como a primeira visita a um parque, ou o plantio de uma muda na escola, etc. A atividade aconteceu durante todos os dia do Avistar e resultou em uma troca muito rica de experiências e informação entre a equipe responsável pelo varal e os participantes do evento.

 

   

Fotos: Andréa Soares Pires (aves) / Paulo A. Muzio (evento)