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06/01/18 08:00

Em 2017, IF capacitou 85 alunos de graduação, mestrado e doutorado em hidrologia florestal

Aulas acontecem no Laboratório de Hidrologia Florestal Walter Emmerich, localizado no Núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar

Em 2017, o Instituto Florestal realizou cursos de hidrologia florestal para alunos de graduação, mestrado e doutorado de variadas áreas do conhecimento e diferentes  instituições públicas de ensino. As aulas foram realizadas no Laboratório de Hidrologia Florestal Walter Emmerich, localizado no Núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar e ministradas pelos pesquisadores científicos Maurício Ranzini, Francisco Arcova e Roberto Starzynski.

De 07 a 10 de maio, foi realizado o 26º Workshop em Manejo de Bacias Hidrográficas, no qual participaram 40 alunos de graduação em Engenharia Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (Unesp) – Campus Botucatu e 5º Workshop da Pós-Graduação, com 7 alunos de mestrado e doutorado em Ciências Florestais e o professor Valdemir Antonio Rodrigues.

Entre 26 e 29 de abril de 2017, a atividade no Laboratório Walter Emmerich fez para das aulas na disciplina “Tópicos Especiais em Hidrologia Florestal”, ministrada pelo Professor Ricardo Valcarcel no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Florestais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Participaram 8 alunos de mestrado e doutorado.

Ao final do ano, de 03 a 06 de dezembro, foi realizado o 14º Curso de Hidrologia Florestal do Instituto Florestal. Desta vez o Laboratório recebeu o professor Jonas Teixeira Nery  da Unesp – Campus de Ourinhos e 30 alunos de graduação de geografia.

Alunos de pós-graduação da UFRRJ

A origem do curso
O curso surgiu a partir de demanda das universidades para que os recebêssemos” conta  Ranzini. “Na década de 1990 estabeleceu-se uma cooperação com a Unesp de Botucatu que começou a organizar, junto ao Instituto Florestal, o evento anual Workshop de Bacias Hidrográficas. Um professor tinha conhecido nosso laboratório, e como eles não tinham um lá na universidade, solicitou essa parceria. Aí outras universidades também começaram a requisitar visitas e nós começamos a organizar esses cursos. Não é um curso regular que abre inscrições, mas são demandas de universidades e pesquisadores interessados que pedem ao IF sua realização”, explica.

A universidades tem um enfoque bastante teórico e toda teoria deve ser acompanhada de prática. E esse é o forte dos cursos do IF. Os alunos têm a oportunidade de entrar em contato com os equipamentos e conhecer as estruturas do Laboratório de Hidrologia. “Temos três microbacias experimentais, três lisímetros… toda uma estrutura que permite que os próprios alunos possam aprender a fazer as medições”, explica Ranzini.

O pesquisador ressalta a importância do trabalho conjunto entre as instituições. “Nós organizamos a parte técnica e científica. As atividades do curso são ministradas por nós, da seção de engenharia florestal do Instituto. Mas a administração do local é da Fundação Florestal, através do gestor do Núcleo de Cunha” informa Ranzini.
Mais de 1500 pessoas já foram capacitadas em hidrologia florestal pelo IF.

Espaço aberto para pesquisas
Uma cooperação técnica estabelecida com o governo do Japão na década de 1980 resultou na criação do Laboratório de Hidrologia Florestal Walter Emmerich. “Os japoneses dotaram uma área nossa de infraestrutura em hidrologia florestal e capacitaram pesquisadores do Instituto Florestal. A nossa missão era transmitir os conhecimentos para os países da América do Sul e também para os países lusófonos da África. Na década de 1990, foram realizados 10 cursos de manejo de bacias hidrográficas patrocinados pelo governo do Japão. Mas quem deu o curso foram pesquisadores do IF”, relata Arcova. O patrocínio dos japoneses terminou em 1999, mas o Instituto deu prosseguimento.

A primeira bacia hidrográfica experimental do Laboratório Walter Emmerich começou a ser monitorada em 1982. São 35 anos de monitoramento contínuo. Estudos hidrológicos são de longo prazo, pois os projetos de hidrologia florestal dependem em parte da variabilidade climática. “O clima em regiões tropicais varia bastante entre os anos. Então é preciso ter uma série histórica representativa para que se possa realmente confiar nos resultados”, conta Arcova. E não é qualquer laboratório um que tem uma série história de 30 anos. “A longo prazo estamos percebendo uma tendência da precipitação a diminuir”, alerta Ranzini.

Não é só o IF que desenvolve pesquisa em Cunha. O Laboratório é aberto. Mestrandos, doutorandos e até alunos de graduação podem solicitar para realizarem por lá as pesquisas de seus Trabalhos de Conclusão de Curso.

O Laboratório conta com inúmeros estudos realizados e com publicações apresentadas tanto no Brasil como no exterior: trabalhos publicados em periódicos, anais de eventos técnico-científicos, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Os resumos destes 141 trabalhos podem ser acessados no link: http://iflorestal.sp.gov.br/pesquisa/engenharia-florestal/trabalhos-publicados-no-laboratorio-de-hidrologia-florestal-eng-agr-walter-emmerich/

Protegendo os recursos hídricos
A localização do Laboratório é estratégica, visto que aquela área é produtora de água. A bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul abastece inúmeras cidades do Vale do Paraíba em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ela tem dois grandes rios que dão inicio ao Rio Paraíba do Sul: o Rio Paraitinga e o Rio Paraibuna. As nascentes do Paraibuna estão a aproximadamente 15km de distância do Laboratório. Deste modo toda a pesquisa realizada ali é bastante importante para o conhecimento do comportamento hidrológico da região.

O Rio Paraíba do Sul, que abastece quase 9 milhões de habitantes somente no Rio de Janeiro. O Rio Paraibuna é quase que todo protegido em função do Parque Estadual da Serra do Mar, com exceção desses 15km que estão fora e têm basicamente agricultura de subsistência e pastagens. Mas quando está dentro do Parque, fica totalmente protegido até a represa de Paraibuna.

Fotos: Acervo Instituto Florestal

Mais informações: Pesquisador científico Maurício Ranzini – Tel. (11) 2231-8555 / Ramal 2030