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31/12/17 08:00

Estudo avalia recategorização de UC de acordo com a ecologia de paisagens

Objetivo da pesquisa foi avaliar se a quantidade de fragmentos florestais garantiria os fluxos genéticos através de uma rede de conectividade ligada por UCs de Uso Sustentável

Estudo realizado por pesquisadores do Instituto Florestal (IF) analisou o processo de recategorização do Parque Estadual do Jacupiranga em Mosaico do Jacupiranga (MOJAC) de acordo com os fundamentos da ecologia de paisagem. Os resultados da pesquisa foram publicados na mais recente edição (32) da revista franco-brasileira de geografia Confins. Concluiu-se que a mudança não comprometeu a conservação e a biodiversidade, pois a quantidade de fragmentos florestais existentes garante o fluxos genéticos através da rede de conectividade.

O artigo “De parque a mosaico: ecologia de paisagem no processo de recategorização do parque estadual Jacupiranga (SP)” é de autoria dos pesquisadores do IF Ocimar José Baptista Bim e Marcos Buhrer Campolim. Também assinam a publicação Julia Camara de Assis, doutoranda no Laboratório de Ecologia Espacial e Conservação na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” de Rio Claro, e Sueli Angelo Furlan, professora do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo da Universidade de São Paulo.

Analisando a relação entre os fragmentos florestais
A ecologia da paisagem leva em conta a relação entre os fragmentos florestais e como eles se interligam. O ponto central da análise é o reconhecimento da existência de uma dependência espacial entre as unidades da paisagem: o funcionamento de uma unidade depende das interações que ela mantém com as unidades vizinhas. A problemática central é o efeito da estrutura da paisagem nos processos ecológicos.

O Parque Estadual do Jacupiranga foi criado em 1969 (Decreto-Lei nº 145). Em 2008 foi formalizada a criação do MOJAC (Lei 12.810), passando de 150 mil hectares a um mosaico de Unidades de Conservação (UCs) com 243 mil hectares. A área de proteção integral foi ampliada para cerca de 154 mil hectares e novas categorias de UCs foram criadas: cinco Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDSs), duas Reservas Extrativistas (REs) e quatro Áreas de Proteção Ambiental (APAs), totalizando os 243 mil hectares de áreas protegidas.

Para a analisar esta mudança de acordo com os fundamentos da ecologia de paisagem., foi utilizado o mapeamento de uso da terra publicado no Inventário Florestal do Estado de São Paulo, feito a partir da fotointerpretação de imagens áreas dos anos 2000 e 2001.

“Fizemos a classificação do uso do solo de forma a dar destaque à composição e configuração da cobertura vegetal como um todo. Para isso, as tipologias de floresta foram agrupadas em uma única classe. Analisamos a conectividade entre os fragmentos, que é a capacidade da paisagem em facilitar fluxos biológicos. As classes resultantes desta simplificação foram: cobertura vegetal, agricultura, reflorestamento, campo antrópico, corpos d’água, área urbana, solo exposto e mineração”, explica Ocimar.

“As métricas de composição utilizadas foram a área total e a porcentagem de cada classe e número de manchas. O estado de conservação do MOJAC e a identificação das regiões mais vulneráveis à fragmentação foram analisados a partir da interpretação destes resultados”, complementa Campolim.

O estudo confirma que a implantação do Mosaico contendo Unidades de Conservação de Proteção Integral e de Uso Sustentável viabiliza a conservação dos remanescentes florestais e a recuperação de áreas, proporcionando maior conectividade entre elas.

“Caso o MOJAC não tivesse êxito em sua implantação, um dos exemplos que poderia acontecer é que as áreas de uso sustentável (APAs, REs e RDSs) não apresentariam melhora nos fragmentos florestais devido aos usos de atividades produtivas”, esclarece Campolim.

“A mudança não comprometeu a conservação e a biodiversidade. A quantidade de fragmentos florestais existentes garante o fluxos genéticos através da rede de conectividade, ligadas por Áreas de Preservação Permanente (APPs) bem conservadas”, conclui Ocimar.

Mais informações: Pesquisador científico Ocimar Bim – Tel. (13) 3821‐5030 / 3821-4492