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27/12/17 08:00

Pesquisa faz inventário da coleção de entalhes botânicos do Museu Florestal

Projeto foi realizado por alunas da ETEC e permitiu avaliar as características e o estado de conservação de 91 obras do acervo

Pesquisa realizada no Museu Florestal Octávio Vecchi inventariou o que para muitos é a coleção de maior destaque do acervo: as pranchas com entalhes botânicos, obras únicas que reproduzem folhas, frutos e sementes de 72 espécies de árvores em sua própria madeira. O trabalho listou a ocorrência das espécies, seus usos, vulnerabilidade, densidade da madeira e o estado de conservação de cada peça. O estudo foi realizado como trabalho de conclusão de curso de duas alunas da Escola Técnica Estadual (ETEC) Parque da Juventude do curso de Meio Ambiente.

As pranchas de madeira analisadas foram entalhadas entre 1937 a 1957, pelos antigos funcionários do então Serviço Florestal (atual Instituto Florestal) Antônio Oppido e Antônio Alves. Cada uma delas corresponde a um tipo de árvore. Assim, foram confeccionadas com sua própria madeira e contêm entalhes botânicos que representam suas respectivas folhas, frutos e sementes. Os entalhes possuem o tamanho real das exsicatas (amostras botânicas), de modo que possuem valor de ilustração científica.

Durante quatro meses, as alunas Bárbara Maia e Giovanna Leitão realizaram a análise, que foi fundamentada através de parâmetros como a ocorrência das espécies, os usos comerciais e ambientais, a sucessão ecológica, o risco de ameaça de extinção e a densidade da madeira. Também foi avaliado o estado de conservação de cada uma das peças. Através desta pesquisa foi possível ainda fazer uma atualização das nomenclaturas botânicas de acordo com o sistema Angiosperm Phylogeny III (APG), de 2009.

O inventário listou 91 amostras, que foram distribuídas em 32 famílias e 72 espécies. Como algumas madeiras apresentam diversas possibilidades de uso, chegou-se a conclusão que 73% são adequadas para a construção civil, confecção de móveis e na restauração de áreas degradadas, enquanto 80% do total analisado são utilizadas com finalidades ornamentais. No que se refere às categorias sucessionais, 14 espécies são enquadradas como pioneiras, 4 como secundárias iniciais, 21 como secundárias tardias e 17 como não determinadas.

Acaso oportuno
A escolha do Museu para realizar o projeto, no entanto, foi por acaso. A museóloga e coorientadora Cecília Machado explica que inicialmente o projeto delas estava relacionado com um viveiro de sementes do próprio Parque da Juventude, porém depois da mudança da administração, não puderam continuar com o estudo. Foi sugerido então que fossem até o Parque Estadual Alberto Löfgren, popularmente conhecido como Horto Florestal, que também fica na Zona Norte de São Paulo e que abriga o Museu Florestal Octávio Vecchi, para verificarem a possibilidade da continuidade de um projeto voltado as sementes.

“Por sorte, fomos pedir uma informação para o monitor do Museu Florestal, que além de responder à nossa pergunta, aproveitou para nos mostrar o acervo”, conta Giovanna. “Nos apaixonamos instantaneamente e tivemos a ideia de elaborar um projeto relacionado ao espaço, já que tinha tudo a ver com o nosso curso de meio ambiente”, complementa Bárbara.

Apesar do acervo variado, foram as pranchas o que mais chamaram a atenção das estudantes. “Cada entalhe era perfeito, e todos feitos a mão”, disse Bárbara. “Achei os entalhes lindos. Pude notar claramente a diferença da madeira que é algo que não visualizamos normalmente. Achei um trabalho incrível e quis conhecê-lo melhor”, relata Giovanna. E assim nasceu o projeto.

“Quando elas começaram a desenvolver o processo da pesquisa junto ao professor Marcelo Oliveira [orientador], apontei que se tratava se uma pesquisa museológica “, explica a coorientadora. Marcelo passou a orientá-las no sentindo das informações biológicas dando uma profundidade científica do objeto enquanto Cecília as guiou quanto a catalogação.

“Foi a forma que encontramos de valorizar um trabalho que certamente foi feito com muita dedicação”, argumenta Bárbara.

Espaço de produção e difusão do conhecimento
O Museu Florestal foi inaugurado em 1931 com o objetivo de ser um espaço de pesquisa e divulgação do conhecimento sobre a biodiversidade paulista. O projeto permitiu um melhor conhecimento técnico do acervo, além de contribuir para a conservação e resgate da história das peças, reforçando a relevância de parcerias entre instituições.

Além dos resultados obtidos contribuírem para a gestão de acervo e para a pesquisa científica, o estudo proporcionou diversos aprendizados e experiências para as recém-formadas. “Aprendi a ver a natureza com outro olhar. Passei a conhecer as árvores. Hoje, quando ando na rua, sei a espécie de algumas e fico muito feliz. Aprendi o quanto as árvores são diferentes e passei principalmente a admirar e respeitar muito mais a história do lugar”, relata Giovanna. “Poder adquirir experiência acadêmica com 17 anos foi uma das melhores coisas que o trabalho me proporcionou”, exalta Bárbara.

“O trabalho é muito importante para o Museu Floresal, porque é um recorte pequeno da coleção, mas serve como parâmetro e metodologia para as outras”, conclui a orientadora Cecília.

Acesse a monografia no link: http://iflorestal.sp.gov.br/files/2017/12/Inventário-das-amostras-de-madeira-entalhadas-do-MFOV.pdf

Fotos: Acervo Instituto Florestal

Mais informações: Museu Florestal Octávio Vecchi – Tel. (11) 2231-8555 / Ramal 2053