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07/07/17 15:09

Brasil sedia Conferência Mundial de Restauração Ecológica

Programação científica do evento é coordenada pela pesquisadora do Instituto Florestal Giselda Durigan

De 27 de agosto a 01 de setembro acontece em Foz do Iguaçu/PR a 7ª Conferência Mundial de Restauração Ecológica (SER 2017). O evento é bienal e engloba ainda o 5º Congresso Ibero-Americano y del Caribe de Restauración Ecológica e a 1ª Conferência Brasileira de Restauração Ecológica. O tema desta edição é “Conectando ciência e prática para um mundo melhor”.

O evento é realizado pela Sociedade de Restauração Ecológica (SER) em parceria com a Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE) e a Sociedade Ibero-Americana e do Caribe para Restauração Ecológica (SIACRE).

De acordo com a organização do evento, estima-se que a conferência deva atrair mais de 1.500 participantes, incorporando a grande diversidade profissional e cultural das três sociedades e representando todas as partes interessadas no tema restauração. Foram 1094 resumos submetidos (autores de 61 países) e apenas 37 recusados. Quase metade dos inscritos são brasileiros. A programação conta com simpósios, workshops, sessões temáticas simultâneas e viagens técnicas de campo: 12 sessões simultâneas durante os quatro dias de evento. Serão apresentadas aproximadamente 550 palestras, cerca 400 pôsteres e 14 vídeos.

Além de cientistas e técnicos atuantes na prática da restauração, o evento deverá atrair ambientalistas, educadores, formuladores de políticas e tomadores de decisão, provenientes de diferentes regiões do mundo. São esperados participantes de todos os setores – agências governmentais, organizações intergovernamentais, ONGs e o setor privado – uma ampla gama de experiências profissionais nas ciências naturais e sociais, arquitetura paisagística, engenharia ambiental, planejamento urbano e regional e políticas públicas, entre outras.

Ainda segundo a organização, a SER 2017 visa fornecer uma plataforma dinâmica e envolvente para o compartilhamento de conhecimento não apenas entre os cientistas e profissionais, mas também com outras partes interessadas que fazem parte desta equação, e ainda fortalecer a integração entre as três sociedades para ampliar a discussão através das escalas- nacional, regional e internacional.

Giselda Durigan, pesquisadora científica do Instituto Florestal (IF), coordena a comissão do programa científico do evento. “Fiz parte do Comitê Científico da SER2013, realizada em Madison (EUA), a convite do presidente do evento Stephen Murphy, editor-chefe do periódico Restoration Ecology, de cujo corpo editorial faço parte desde 2009. Na SER2017, sou membro da Comissão Organizadora desde quando lançamos a candidatura do Brasil para realizar o evento, ainda em 2013. Perdemos para Manchester em 2015, mas conseguimos sediar a Conferência de 2017”, conta.

 

Conectando ciência e prática para a restauração

O tema do evento é “Conectando ciência e prática para um mundo melhor”. Giselda explica que em todo o mundo, a restauração de ecossistemas começou a ser feita com base no que se sabia sobre silvicultura e recuperação de solos. Mas os inúmeros fracassos obrigaram os restauradores a baterem na porta da academia em busca de ajuda, pois se tratava de algo mais complexo do que aparentava. O mesmo ocorreu no Brasil, especialmente nos anos 1980. Na década seguinte começaram as pesquisas, que têm proporcionado o aprimoramento das técnicas e a redução dos custos. “Isto aconteceu primeiro com a restauração florestal e agora estamos avançando rapidamente na restauração de campos e cerrados”, conta a pesquisadora.

Até mesmo a legislação relativa à restauração se beneficiou da ciência. É o caso da Resolução SMA nº 32 de 2014, construída a partir dos resultados de uma pesquisa financiada pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo que estudou as trajetórias sucessionais das matas ciliares em restauração e os fatores que explicam o sucesso ou fracasso dos plantios.

“A partir desta pesquisa, passamos a utilizar indicadores ecológicos para avaliar os resultados das iniciativas (e não apenas os projetos, como era feito anteriormente). Esta mudança foi crucial, pois em muitos casos os ecossistemas podem se regenerar naturalmente, sem custos, e os indicadores permitem atestar o sucesso mesmo que não tenha havido plantio. Os indicadores permitem também identificar problemas e recomendar ações para corrigir falhas” explica Giselda, reforçando que este é apenas um dos exemplos.

 

Principais referências mundiais estão entre os palestrantes

O evento terá 10 palestras magistrais com a fala de referências mundiais. Pedimos para que Giselda destacar apenas uma destas personalidades para a matéria e foi mencionado o nome de Charles Vörösmarty, que fará a palestra de abertura do evento, com o título “The world’s water systems: a gram of prevention, worth a kilogram of cure” (Os sistemas de água do mundo: um grama de prevenção, vale um quilograma de cura).

Cientista de renome mundial, Vörösmarty é a maior autoridade em se tratando da situação dos recursos hídricos em escala global, das ameaças ao abastecimento de água e de como a civilização atual está colocando em risco um recurso que é fundamental para a sobrevivência da própria espécie humana. “Esta abordagem é extremamente importante para nós brasileiros, que temos agricultura, indústria e energia, além da saúde da população, fortemente dependentes da água dos rios. Portanto, a restauração de ecossistemas no Brasil, mais do que em países não tão dependentes da água, precisa ter a proteção dos recursos hídricos como seu principal objetivo” defende Giselda.

Entre os palestrantes, Giselda destaca ainda o Dr, Richard Hobbs, considerado o maior cientista da Ecologia da Restauração de Ecossistemas no mundo e que vai falar sobre as dificuldades de colocar a ciência em prática, em sua palestra intitulada “Turning good intentions into good outcomes: links and mismatches between theory and practice in restoration” (Transformando boas intenções em bons resultados: elos e incompatibilidades entre a teoria e a prática na restauração)

“Nós trouxemos a SER2017 para o Brasil pensando em, assim, ampliar nossos horizontes, pelo conhecimento das experiências de outras regiões do mundo, buscando inovação. Naturalmente, será também uma oportunidade para mostrarmos ao mundo que aqui no Brasil se faz restauração de qualidade”, conclui Giselda.

 

Minicurrículo (Plataforma Lattes)

Giselda Durigan possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade de São Paulo (1979), mestrado em Engenharia Florestal pela Universidade de São Paulo (1986) e doutorado em Biologia Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas (1994). Fez pós-doutorado junto ao Royal Botanic Garden, em Edinburgh, Escócia. Atualmente é pesquisador científico VI do Instituto Florestal e professora credenciada junto aos Programas de Pós-graduação em Ciência Florestal, da Unesp Botucatu e Ecologia, da Unicamp. É membro do corpo editorial dos periódicos Restoration Ecology, da Society for Ecological Restoration – SER, Journal of Ecology e Hoehnea. É membro fundador da Sociedade Brasileira para a Restauração Ecológica – SOBRE. Desenvolve pesquisas em regiões de Cerrado e Mata Atlântica, atuando especialmente em Ecologia de Ecossistemas e Ecologia Aplicada à conservação e restauração ecológica.

Mais informações: Pesquisadora científica Giselda Durigan. Tel.: (18) 33217363 / e-mail: giselda.durigan@gmail.com