http://iflorestal.sp.gov.br

27/04/17 12:03

IF estuda sementes de grumixama, espécie nativa com potencial comercial

O objetivo é chegar ao modelo ideal de armazenamento para essas sementes, sem que percam a viabilidade por desidratação e sem que haja deterioração por fungos

O Instituto Florestal (IF) está realizando uma pesquisa com sementes de grumixama, que é uma espécie nativa da Mata Atlântica. Além do interesse em sua utilização para a recuperação florestal, a grumixama possui frutos saborosos e com alto potencial alimentício.

Fungos são os principais responsáveis por causar deterioração às sementes. Porém, por se tratarem de recalcitrantes, as sementes desta espécie têm baixa tolerância à desidratação e a baixas temperaturas, o que pode inviabilizar seu armazenamento. Neste contexto, o pesquisador científico João Parisi conduz estudo que avalia os limites de desidratação que a semente da grumixama pode suportar sem perder sua viabilidade, bem como a eficiência de tratamentos químicos para controle de fungos.

“Sementes recalcitrantes são aquelas que não toleram desidratação e baixas temperaturas, perdendo a viabilidade rapidamente quando o teor de água é diminuído. Nessas sementes, a redução do teor de água para níveis abaixo de 12-31%, dependendo da espécie, tende a diminuir o período de viabilidade”, explica Parisi, que é doutor em engenharia agrícola. “Na fase final da maturação dessas sementes o teor de água permanece elevado iniciando-se o processo germinativo, às vezes até na própria planta. Não havendo restrições hídricas durante a maior parte do ano, essas sementes são as que colonizam mais rapidamente o ambiente”, complementa o pesquisador.

Além da grumixama, também são classificadas como recalcitrantes, entre outras, as sementes de uvaia, ingá, seringueira, cacau, abacate e pitanga, sendo que esta última também será contemplada pelo estudo.

As sementes recalcitrantes não toleram a dessecação e as baixas temperaturas. Porém são nessas condições que os fungos têm seu crescimento paralisado. Parisi explica que os fungos são os principais micro-organismos associados às sementes, podendo causar vários danos, tanto na fase de campo, como também na pós-colheita. O armazenamento é a fase na qual a deterioração pode ocorrer, afetando a qualidade fisiológica das sementes. “Esses danos causam a redução drástica na produção de mudas em viveiros e o aumento dos custos de reflorestamentos”, alerta o pesquisador. Para ele, estudos envolvendo a ação de fungos em sementes florestais poderão possibilitar o desenvolvimento de tecnologias que permitam o manejo e conservação dessas sementes por um maior período. E uma das maneiras de controlar esses microrganismos é o tratamento de sementes.

Para o desenvolvimento do projeto estavam previstos o acompanhamento e coleta dos frutos de grumixama na Estação Experimental de Tupi, em Piracicaba, mas devido a condições climáticas não ocorreu a produção de sementes, sendo possível a coleta somente na unidade de Bauru. Para complementar o projeto foram realizadas outras coletas nas cidades de Santa Rita do Passa Quatro e no núcleo de produção e mudas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, em Itaberá.

O Projeto “Fungos e Manutenção da viabilidade de sementes de grumixama” está em fase de instalação do experimento e coleta dos resultados. “Pretendemos até o final de julho estar com os resultados prontos para um melhor diagnóstico sobre a interferência dos fungos na conservação das sementes de grumixama”, informa Parisi. O Projeto está sendo realizado com a aluna de iniciação científica da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) Ana Carolina Minohara, que participa no desenvolvimento dos experimentos e das análises realizadas nos laboratórios da Universidade, em Piracicaba.

O Projeto de Iniciação Científica faz parte do Projeto “Fungos e manutenção da viabilidade de sementes de espécies florestais”, registrado na Comissão Técnico-Científica do Instituto Florestal (Cotec), responsável pela gestão dos projetos de pesquisa nas Unidades de Conservação e Áreas Protegidas do Estado de São Paulo. Além de técnicos e pesquisadores do IF e da USP, possui colaboração de pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e do Instituto de Botânica, este último vinculado à Secretaria do Meio Ambiente.

Fruto saboroso, saudável e com potencial comercial
Além do interesse em utilização para a recuperação das matas nativas, a grumixama, por ser uma planta nativa e possuir frutos considerados doces e saborosos, tem alto potencial alimentício. Seus frutos assemelham-se a pequenas cerejas e por isso é conhecida como “cereja brasileira”. São consumidos principalmente in natura pelo homem e apresentam grande potencial para exploração racional na produção de polpas, sucos, doces em massa, geléias, etc. A coloração roxa indica a presença de pigmentos antociânicos. Este composto natural tem despertado interesse, devido aos seus efeitos nutricionais e terapêuticos, pela ação antioxidante.

Pitangas serão estudadas na segunda fase do projeto
Na primeira etapa do trabalho estão sendo estudadas apenas as sementes de grumixama. Posteriormente as sementes de pitanga serão inseridas na pesquisa, visto que tanto esta espécie quanto a grumixama pertencem ao mesmo gênero (Eugenia) e família (Mirtaceae). Assim como as da grumixama, as sementes de pitanga são também classificadas como recalcitrantes.

 

Fotos: Acervo Instituto Florestal

Mais informações: Pesquisador científico João Parisi – Tel. (19) 3438-7116 / 3438-7200