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31/01/17 13:43

Estudo identifica 11 espécies de flora ameaçadas de extinção no Parque Estadual Alberto Löfgren

O trabalho visa impedir a contaminação biológica da Cantareira e propõe a adoção de um manejo integrado, com o controle de espécies exóticas e enriquecimento de nativas

Estudo da vegetação do Parque Estadual Alberto Löfgren (PEAL), localizado na zona norte de São Paulo, recomenda programa de manejo integrado, com controle de espécies exóticas e enriquecimento de nativas, para impedir a contaminação biológica da Serra da Cantareira. A pesquisa foi publicada na Revista do Instituto Florestal e registrou 11 espécies ameaçadas de extinção.

O PEAL foi um Horto Botânico Experimental por décadas. Se tornou tornou Parque em 1963, quando o objetivo do manejo da área mudou para a preservação de ecossistemas naturais e a restauração daqueles degradados. Exerce papel importante na conservação da flora da região metropolitana de São Paulo, sobretudo como uma zona de amortecimento na parte sudeste do Parque Estadual da Cantareira. Esse fragmento florestal urbano, como unidade de proteção integral, tem como obrigação legal proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional.

O controle de espécies exóticas invasoras diminui a competição por recursos com as espécies nativas, o que pode favorecer o aumento populacional daquelas ameaçadas. Define-se como espécie exótica aquela que foi transportada de uma dada região geográfica para outra em que não ocorreria naturalmente, sendo o transporte realizado pelo homem de modo intencional ou acidental. A maior parte das plantas exóticas cultivadas no Brasil não causa problemas para a conservação dos ecossistemas naturais, mas esse não é o caso daquelas denominadas de invasoras. Essas espécies passam a dominar o ambiente em que ocorrem, competindo com as espécies nativas e prejudicando o funcionamento dos ecossistemas. Em muitos casos, podem levar à extinção local de espécies nativas da fauna e flora. “Estudos já realizados em alguns trechos do PEAL apontam, por exemplo, que quanto maior o número de palmeiras exóticas invasoras, menor é a abundância e diversidade de aves de subosque”, comenta a pesquisadora Silvana Souza.

A pesquisa registrou 1.680 indivíduos de 121 espécies de flora, sendo 35 exóticas. Também foi detectada a presença de 11 espécies ameaçadas de extinção, quatro delas exóticas. Embora ainda não possam ser consideradas como invasoras agressivas no PEAL, são necessários estudos complementares, a fim de investigar se essas exóticas ameaçadas estão ou não interferindo no desenvolvimento das espécies nativas. “O manejo visando à erradicação de espécies exóticas invasoras em unidade de proteção integral sempre é recomendado, mas é necessário estabelecer prioridades de ação. No caso do PEAL, há espécies comprovadamente mais prioritárias para o manejo do que as exóticas consideradas ameaçadas de extinção”, explica Silvana.

O estudo indica as espécies que devem ter o manejo priorizado para viabilizar o retorno dos processos de sucessão ecológica.

Mas o que é processo sucessional?
Em qualquer terreno não ocupado por vegetação estabelece-se uma condição de vazio ecológico. Essa disponibilidade faz surgir plantas para colonizar esse espaço, ao longo do tempo, as espécies vão se substituindo, cada uma alterando o ambiente para a espécie seguinte.  A esse processo, em que ocorre a mudança da vegetação em uma mesma área, é dado o nome de sucessão.

Silvana explica que quando o processo de sucessão começa com uma “comunidade vazia”, portanto sem nenhuma planta, é denominado de sucessão primária, pois leva à formação e colonização da vegetação sobre um solo recém-formado. Quando há uma vegetação estabelecida, e essa é totalmente removida por ação humana para uso temporário (corte raso de floresta para agricultura, por exemplo), a recolonização das plantas somente irá ocorrer após a interrupção daquele uso.  Esse processo de reocupação da comunidade de plantas em um local em que elas já habitavam é denominado de sucessão secundária. “No caso do PEAL, parcela significativa da vegetação original de Floresta Atlântica foi removida para compor os arboretos, implantados no período em que o Parque foi utilizado como Horto Botânico Experimental (1925 a 1957). Estas áreas são caracterizadas por talhões, glebas e parcelas com plantios com uma ou até quatro espécies em consórcio de nativas e exóticas. Em função da não realização de tratos silviculturais nesses plantios, o subosque desses arboretos foram ocupados por regeneração natural mista de plantas exóticas e nativas. Estabeleceu-se então um processo de sucessão”, informa.

Selo comemorativo de 130 anos da instituição

Perguntada sobre a importância do manejo das espécies exóticas invasoras para o PEAL e para o Parque da Cantareira, a pesquisadora responde que é justamente para acelerar o processo de sucessão secundária.

“Mesmo tratando de vegetação secundária, com o predomínio de espécies de estágios iniciais de regeneração, a existência de espécies ameaçadas de extinção no Parque Estadual Alberto Löfgren destaca a importância biológica das florestas urbanas para a conservação da biodiversidade”, destaca o artigo.

O artigo “A vegetação secundária em um fragmento florestal urbano: influência de exóticas invasoras na comunidade vegetal” está publicado na Revista do Instituto Florestal, volume 28, número 01. Os autores são os pesquisadores científicos do IF Silvana Cristina Pereira Muniz de Souza, Geraldo Antonio Daher Côrrea Franco e Natália Macedo Ivanauskas e o estagiário Athos Geraldo da Silva.

Mais informações: Pesquisadora científica Silvana Cristina Pereira Muniz de Souza – Tel. (11) 2231-8555 / Ramal 2097